Plantas medicinais e suas funções: benefícios, evidências científicas e cuidados no uso
Plantas medicinais e suas funções: benefícios, evidência científica e cuidados
As plantas medicinais fazem parte dos conhecimentos e práticas de saúde de muitas comunidades. Contudo, compreender as suas funções exige distinguir três aspectos: o uso tradicional, os efeitos observados em laboratório e os benefícios demonstrados em pessoas. Uma planta utilizada há gerações pode ter interesse científico sem que todos os seus usos estejam clinicamente comprovados.
Conheça cinco exemplos gengibre, hortelã-pimenta, camomila, aloé vera e cúrcuma e descubra o que a investigação permite afirmar sobre cada um.
Como interpretar as funções das plantas medicinais?
Uma actividade identificada numa célula ou num animal não demonstra, por si só, que a planta trata uma doença humana. Para avaliar um benefício clínico, é necessário estudar pessoas, comparar resultados e investigar efeitos adversos.
Também importa saber qual preparação foi estudada. Folhas, rizomas, chás, óleos essenciais e extractos concentrados não são equivalentes. A composição e a quantidade de substâncias presentes podem variar significativamente. Assim, os resultados obtidos com uma cápsula específica não devem ser automaticamente atribuídos a um chá caseiro. [1]
1. Gengibre: possível auxílio contra náuseas
Nome científico: Zingiber officinale.
Parte utilizada: o rizoma, um caule subterrâneo frequentemente chamado de “raiz”.
Função investigada: redução de náuseas e vómitos, sobretudo associados à gravidez. Segundo o NCCIH, a investigação indica possível benefício nesse contexto, mas a maioria dos estudos avaliou suplementos, e não alimentos ou chás. [2]
Limites: a eficácia para enjoo de viagem não é convincente; para náuseas após cirurgia ou durante quimioterapia, os resultados continuam incertos. [2]
Cuidados: pode provocar azia, diarreia e desconforto abdominal. O uso de suplementos durante a gravidez ou em conjunto com medicamentos deve ser discutido com um profissional de saúde. [2]
2. Hortelã-pimenta: investigação sobre sintomas intestinais
Nome científico: Mentha × piperita.
Partes utilizadas: folhas e óleo essencial. “Hortelã” é um nome aplicado a diferentes plantas; a espécie estudada deve ser identificada.
Função investigada: cápsulas de óleo de hortelã-pimenta com revestimento entérico podem ajudar a reduzir a dor abdominal e os sintomas gerais da síndrome do intestino irritável em adultos. [3]
Limites: essa evidência refere-se principalmente a preparações específicas de óleo. Não demonstra que o chá das folhas produza o mesmo efeito; a investigação sobre as folhas é muito limitada. [3]
Cuidados: o óleo pode causar azia ou agravar o refluxo. Não aplique produtos com mentol no rosto de bebés ou crianças pequenas, devido ao risco de afectar a respiração. Não ingira óleo essencial puro. [3]
3. Camomila: uso tradicional para relaxamento
Nome científico: Matricaria chamomilla, também conhecida como Matricaria recutita.
Parte utilizada: os capítulos florais.
Uso tradicional: preparação de infusões associadas ao relaxamento e ao conforto digestivo.
O que a ciência mostra: estudos preliminares sugerem que determinados suplementos de camomila podem ajudar na ansiedade generalizada. Entretanto, o NCCIH considera insuficiente a evidência disponível para estabelecer a sua utilidade clínica em várias condições. [4]
Limites: o uso popular como “chá para dormir” não equivale a um tratamento comprovado da insónia. [4]
Cuidados: pode provocar alergias, incluindo reacções graves, sobretudo em pessoas sensíveis a plantas relacionadas, como margaridas e crisântemos. Foram relatadas interacções com a varfarina e outros medicamentos. [4]
4. Aloé vera ou babosa: estudos sobre aplicação na pele
Nome científico: Aloe vera.
Parte investigada: sobretudo o gel interno das folhas, diferente do látex amarelado e da folha inteira.
Função investigada: estudos clínicos sugerem que algumas preparações tópicas de gel podem favorecer a cicatrização de queimaduras e reduzir a dor associada. Os resultados dependem do produto e da situação estudada. [5]
Limites: esses resultados não justificam aplicar folhas cruas em feridas ou tratar queimaduras graves em casa. Também não comprovam eficácia para todas as doenças de pele.
Cuidados: o gel tópico pode causar irritação. A ingestão do látex pode provocar cólicas e diarreia; extractos ingeridos foram associados a casos de hepatite. Não prepare bebidas medicinais com a folha inteira. [5]
5. Cúrcuma: potencial estudado na dor articular
Nome científico: Curcuma longa.
Parte utilizada: o rizoma, usado como especiaria e na produção de extractos. A curcumina contribui para a sua cor amarela.
Função investigada: extractos de cúrcuma e curcumina apresentam resultados iniciais favoráveis para alguns sintomas da osteoartrite do joelho, como dor e rigidez. Contudo, ainda são necessários estudos de melhor qualidade para conclusões definitivas. [6]
Limites: usar cúrcuma na alimentação não equivale a tomar os extractos dos estudos. Não está demonstrado que a especiaria cure artrite ou outras doenças.
Cuidados: suplementos podem provocar problemas digestivos. Algumas formulações que aumentam a absorção de curcumina foram associadas a lesão do fígado. O uso medicinal durante a gravidez exige orientação profissional. [6]
Cuidados essenciais no uso de plantas medicinais
- Confirme a espécie: nomes populares variam entre regiões. As fotografias ilustram o artigo, mas não substituem identificação botânica especializada.
- Informe o profissional de saúde: mencione plantas, chás e suplementos que utiliza, especialmente se toma medicamentos.
- Não confunda alimento com tratamento: quantidades culinárias e extractos concentrados têm características diferentes.
- Não substitua cuidados necessários: plantas não devem atrasar diagnóstico nem substituir tratamentos prescritos.
- Procure assistência perante sinais de gravidade: dificuldade respiratória, vómitos persistentes, dor intensa, febre persistente ou queimaduras extensas exigem avaliação.
Valorizar a tradição com rigor científico
O conhecimento tradicional pode orientar perguntas importantes para a investigação. A utilização responsável das plantas combina esse património com identificação correcta, avaliação da preparação, estudos clínicos e acompanhamento dos riscos. “Natural” não significa automaticamente seguro ou eficaz. [1]
Referências científicas e fontes de consulta
As fichas do NCCIH, organismo dos National Institutes of Health dos Estados Unidos, sintetizam investigação e apresentam bibliografia científica para aprofundamento.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Botanical Dietary Supplements: Background Information. Consultar fonte.
- National Center for Complementary and Integrative Health. Ginger: Usefulness and Safety. Consultar fonte e bibliografia.
- National Center for Complementary and Integrative Health. Peppermint Oil: Usefulness and Safety. Consultar fonte e bibliografia.
- National Center for Complementary and Integrative Health. Chamomile: Usefulness and Safety. Consultar fonte e bibliografia.
- National Center for Complementary and Integrative Health. Aloe Vera: Usefulness and Safety. Consultar fonte e bibliografia.
- National Center for Complementary and Integrative Health. Turmeric: Usefulness and Safety. Consultar fonte e bibliografia.
Data de consulta: 5 de Outubro de 2026. As conclusões podem ser actualizadas à medida que surgem novos estudos.