ChatGPT ajuda realmente a aprender ou está a tornar os estudantes dependentes?

Uma análise crítica das evidências científicas recentes sobre aprendizagem, pensamento crítico, envolvimento cognitivo e dependência da inteligência artificial generativa.

Exemplo de texto académico produzido com auxílio de um chatbot de inteligência artificial
Uso de inteligência artificial generativa na produção de texto académico. Fotografia: Ehécatl Cabrera, própria autoria, CC BY-SA 4.0 . Wikimedia Commons .

Resumo

A inteligência artificial generativa, especialmente o ChatGPT, introduziu uma nova dimensão no processo educativo. Os estudantes podem actualmente utilizar sistemas conversacionais para esclarecer conceitos, obter explicações, gerar exemplos, receber feedback, resolver problemas e auxiliar na produção de textos. Contudo, a facilidade de acesso à resposta também levanta uma questão fundamental: quando uma ferramenta que ajuda a aprender começa a substituir o próprio processo de aprendizagem?

A investigação científica recente apresenta um quadro complexo. Revisões sistemáticas e meta-análises identificam efeitos positivos do ChatGPT sobre determinados resultados de aprendizagem e sobre o envolvimento dos estudantes, mas salientam que os resultados dependem do desenho pedagógico, do tipo de tarefa e da forma como a ferramenta é utilizada (Deng et al., 2025; Heung & Chiu, 2025).

Paralelamente, estudos recentes apontam para riscos associados ao cognitive offloading, isto é, à transferência de operações cognitivas para ferramentas externas. Quando o estudante utiliza a IA para substituir actividades intelectuais que deveria realizar autonomamente, pode reduzir o seu envolvimento cognitivo e a oportunidade de desenvolver determinadas competências (Georgiou, 2025; Kosmyna et al., 2025).

Assim, as evidências não sustentam uma conclusão simples segundo a qual o ChatGPT seria necessariamente benéfico ou prejudicial. O seu impacto depende sobretudo da relação entre a ferramenta, o estudante, a tarefa e o contexto pedagógico.

Palavras-chave: ChatGPT; inteligência artificial generativa; aprendizagem; estudantes; dependência cognitiva; cognitive offloading; pensamento crítico; ensino superior; educação.

1. Introdução

A inteligência artificial generativa tornou-se uma das tecnologias educacionais mais discutidas dos últimos anos. Entre as ferramentas disponíveis, o ChatGPT adquiriu particular relevância devido à sua capacidade de interagir com os utilizadores através de linguagem natural, produzir explicações e auxiliar na realização de diferentes tarefas intelectuais.

A rápida expansão destas ferramentas alterou a relação tradicional entre estudantes, professores e informação. Em vez de depender exclusivamente de livros, motores de pesquisa ou professores para esclarecer uma dúvida, o estudante pode agora estabelecer uma conversa interactiva com um sistema de inteligência artificial.

Esta transformação apresenta benefícios potenciais. Uma ferramenta conversacional pode oferecer explicações alternativas, exemplos, perguntas de revisão e feedback imediato, elementos que podem apoiar processos de aprendizagem quando integrados adequadamente numa actividade pedagógica (Deng et al., 2025).

Contudo, existe uma diferença fundamental entre obter uma resposta e aprender a produzir essa resposta. A melhoria do desempenho numa tarefa não demonstra, por si só, que ocorreu aprendizagem profunda ou duradoura.

Questão central:

Se o ChatGPT consegue realizar parte do trabalho intelectual que normalmente seria realizado pelo estudante, até que ponto a ferramenta está a apoiar a aprendizagem e em que momento começa a substituir o próprio processo cognitivo?

Esta questão torna-se particularmente relevante porque revisões recentes encontram simultaneamente resultados positivos sobre aprendizagem e envolvimento e evidências que levantam preocupações sobre delegação cognitiva e redução do esforço mental (Deng et al., 2025; Heung & Chiu, 2025).

2. ChatGPT como ferramenta de aprendizagem

O ChatGPT pode desempenhar diferentes funções no processo educativo. Pode actuar como tutor, assistente de escrita, parceiro de discussão, gerador de perguntas ou instrumento de feedback. O valor pedagógico dessas funções depende, contudo, da natureza da actividade realizada pelo estudante.

Quando um estudante apresenta uma resposta própria e pede ao ChatGPT que identifique possíveis erros, a ferramenta desempenha uma função diferente daquela que desempenharia se fosse simplesmente solicitada a produzir a resposta final.

A literatura sobre ChatGPT e aprendizagem indica que intervenções estruturadas podem produzir resultados positivos. Deng et al. (2025), numa revisão sistemática e meta-análise de estudos experimentais, encontraram evidências de benefícios associados ao uso do ChatGPT em resultados de aprendizagem, embora os efeitos variem de acordo com as condições da intervenção.

Heung e Chiu (2025), numa revisão sistemática e meta-análise centrada no envolvimento dos estudantes, também identificaram efeitos positivos em diferentes dimensões do envolvimento, embora os autores salientem a heterogeneidade dos estudos e a importância do contexto educativo.

1

Tutor

Explica conceitos, cria exemplos e adapta a explicação às dúvidas apresentadas pelo estudante.

2

Feedback

Pode analisar uma resposta produzida pelo estudante e sugerir formas de aperfeiçoá-la.

3

Parceiro de discussão

Pode apresentar perspectivas alternativas e contra-argumentos para estimular reflexão.

4

Gerador de exercícios

Pode criar perguntas e situações-problema para prática e revisão.

3. ChatGPT e desempenho académico

Uma das questões mais estudadas é saber se a utilização de ChatGPT melhora o desempenho académico.

Deng et al. (2025) realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de estudos experimentais e encontraram efeitos positivos do ChatGPT sobre resultados de aprendizagem. A investigação também encontrou efeitos relacionados com estados afectivo-motivacionais e determinadas dimensões do pensamento de ordem superior.

Estes resultados sugerem que a IA generativa pode funcionar como uma ferramenta educacional eficaz em determinadas circunstâncias. Contudo, o efeito não deve ser interpretado como prova de que qualquer utilização do ChatGPT melhora automaticamente a aprendizagem.

O desenho da actividade continua a ser fundamental. Uma tarefa que permita ao estudante simplesmente copiar uma resposta da IA mede uma coisa diferente de uma actividade na qual o estudante precisa de avaliar, justificar e defender uma resposta.

Importante:

Um aumento da qualidade da resposta produzida com assistência de IA não equivale necessariamente a um aumento proporcional do conhecimento que o estudante consegue mobilizar sem essa assistência.

4. ChatGPT e envolvimento dos estudantes

O envolvimento académico inclui diferentes dimensões, entre elas participação comportamental, investimento cognitivo e envolvimento emocional.

Heung e Chiu (2025) analisaram empiricamente a relação entre ChatGPT e envolvimento estudantil através de uma revisão sistemática e meta-análise. Os resultados indicaram efeitos positivos sobre o envolvimento global, mas também evidenciaram variação entre os estudos.

Esta heterogeneidade é importante. O mesmo ChatGPT pode produzir experiências educativas muito diferentes dependendo da tarefa.

Forma de utilização Possível efeito educativo
Solicitar uma resposta pronta Pode reduzir a participação intelectual do estudante.
Solicitar pistas Pode preservar a resolução autónoma do problema.
Solicitar feedback Pode apoiar revisão e melhoria.
Debater argumentos com a IA Pode estimular análise e comparação.
Copiar trabalhos produzidos pela IA Pode substituir actividades cognitivas fundamentais.

5. ChatGPT pode desenvolver o pensamento crítico?

O pensamento crítico envolve capacidades como análise, avaliação, interpretação, inferência e justificação. A utilização de uma ferramenta de IA não garante automaticamente o desenvolvimento dessas capacidades.

Uma revisão sistemática recente de 67 estudos empíricos publicados entre 2022 e 2025 examinou especificamente os efeitos do ChatGPT sobre o pensamento crítico e criativo no ensino superior. Li, Cui e Hagedorn (2026) concluíram que os efeitos dependem fortemente da forma como a IA é integrada no desenho instrucional.

Segundo esta revisão, o ChatGPT pode apoiar o desenvolvimento cognitivo quando integrado em actividades estruturadas, orientadas para investigação, questionamento e reflexão. Contudo, usos não estruturados podem favorecer a delegação de tarefas cognitivas para a ferramenta.

Isto significa que pedir ao ChatGPT uma lista de argumentos é educativamente diferente de pedir ao ChatGPT para apresentar argumentos e depois obrigar o estudante a avaliar quais são mais fortes e porquê.

O objectivo pedagógico não deve ser fazer com que a IA pense pelo estudante, mas criar situações em que a IA obrigue o estudante a pensar melhor.

6. O problema do cognitive offloading

O conceito de cognitive offloading descreve a utilização de recursos externos para reduzir a quantidade de processamento cognitivo que precisa de ser realizada internamente.

Na educação, este fenómeno não é necessariamente negativo. Calculadoras, cadernos, mapas, motores de pesquisa e outras ferramentas podem reduzir tarefas mecânicas e permitir que o estudante concentre recursos em actividades de maior complexidade.

O problema surge quando a actividade transferida para a ferramenta constitui precisamente a competência que a actividade educativa pretendia desenvolver.

Por exemplo, se uma aula pretende desenvolver capacidade de argumentação e o estudante solicita à IA que construa integralmente o argumento, parte importante da actividade cognitiva pode ser delegada.

Georgiou (2025) investigou especificamente a relação entre utilização de ChatGPT e envolvimento cognitivo e encontrou evidências compatíveis com uma redução do envolvimento cognitivo em determinadas condições. Este trabalho deve, contudo, ser interpretado como evidência emergente, uma vez que se trata de um preprint.

Li et al. (2026) também identificaram o cognitive offloading como uma preocupação importante na literatura recente sobre ChatGPT, sobretudo quando a utilização da IA não é acompanhada por estruturas pedagógicas que mantenham o estudante cognitivamente activo.

7. Quando a ajuda se transforma em dependência?

É importante distinguir dependência cognitiva de dependência clínica ou vício. Neste contexto, a expressão refere-se à tendência de depender excessivamente de uma ferramenta para realizar tarefas que anteriormente eram executadas autonomamente.

A dependência pode ser compreendida através de três níveis.

Nível 1 — Assistência

O estudante pensa primeiro e utiliza a IA posteriormente para receber feedback, esclarecer dúvidas ou verificar o próprio raciocínio.

Nível 2 — Colaboração

O estudante e a IA participam no processo. O estudante avalia, selecciona, modifica e justifica aquilo que recebe.

Nível 3 — Substituição

O estudante delega à IA grande parte da leitura, análise, escrita, resolução e tomada de decisão.

O terceiro nível representa o maior risco educativo, porque a ferramenta deixa de funcionar como suporte e passa a desempenhar as actividades cognitivas que o estudante deveria praticar.

8. Menor esforço cognitivo é sempre negativo?

Não. A redução do esforço cognitivo pode ser vantajosa quando elimina actividades mecânicas ou desnecessárias.

Um dos resultados interessantes da investigação recente é precisamente a coexistência de melhoria de determinados resultados e redução do esforço mental em algumas condições.

Deng et al. (2025) encontraram benefícios de aprendizagem associados ao ChatGPT, mas também resultados que sugerem que a redução do esforço mental pode acompanhar determinadas formas de utilização.

Consequentemente, a pergunta mais adequada não é simplesmente: "A IA reduziu o esforço?"

A pergunta deveria ser: "Que tipo de esforço a IA reduziu?"

Redução potencialmente positiva:

Eliminar uma tarefa repetitiva e libertar tempo para análise, interpretação ou criatividade.

Redução potencialmente problemática:

Eliminar a leitura, recuperação, resolução, argumentação ou reflexão que constituíam o próprio objectivo da actividade educativa.

9. A ilusão de aprendizagem

Uma das questões mais difíceis de estudar é a diferença entre sentir que compreendemos e ser capazes de demonstrar compreensão autonomamente.

Um estudante pode ler uma explicação produzida por uma IA e considerar que o assunto ficou claro. Contudo, quando precisa de explicar o conceito sem consultar a ferramenta, pode descobrir que não consegue reconstruir o raciocínio.

Esta questão é particularmente importante porque a aprendizagem envolve mais do que exposição à informação. A capacidade de recuperar conhecimentos, aplicá-los e utilizá-los em novos problemas é fundamental para demonstrar aprendizagem.

Por isso, uma utilização pedagogicamente mais interessante consiste em pedir à IA que faça perguntas em vez de fornecer imediatamente as respostas.

Exemplo:

Em vez de perguntar:
"Explique a mitose."

o estudante pode perguntar:
"Faça-me cinco perguntas sobre mitose, uma de cada vez. Espere pela minha resposta e só depois apresente feedback."

10. Metacognição: a competência que se torna indispensável

A metacognição envolve a capacidade de monitorizar e regular o próprio processo de aprendizagem.

Na era da inteligência artificial, esta competência assume importância especial porque o estudante precisa de avaliar continuamente se está a utilizar a ferramenta como suporte ou como substituto do pensamento.

Antes de aceitar uma resposta da IA, o estudante deveria perguntar:

  • Eu compreendo esta resposta?
  • Consigo explicar a ideia sem consultar a IA?
  • Que evidências sustentam esta afirmação?
  • A resposta contém alguma generalização?
  • Existem fontes científicas que confirmam a informação?
  • Estou a utilizar a IA para aprender ou apenas para terminar a tarefa?

A literatura recente sobre pensamento crítico e IA destaca precisamente a importância de estruturas pedagógicas que obriguem o estudante a avaliar, reflectir e justificar as respostas produzidas pela ferramenta (Li et al., 2026).

11. O problema da informação incorrecta

Outro desafio consiste no facto de sistemas de inteligência artificial poderem produzir informações incorrectas apresentadas de maneira convincente.

Este fenómeno é especialmente problemático em contextos académicos, porque estudantes com pouco conhecimento prévio podem ter dificuldade em distinguir uma explicação correcta de uma explicação plausível mas errada.

Por esse motivo, a resposta do ChatGPT não deve ser tratada como fonte científica primária.

Regra académica:

Quando uma afirmação for importante para um trabalho científico, procure a fonte original — artigo científico, livro académico, documento institucional ou base de dados científica — em vez de citar simplesmente a resposta produzida pelo ChatGPT.

12. O papel do professor torna-se ainda mais importante

A existência de ferramentas de IA não elimina a necessidade de professores. Pelo contrário, aumenta a importância da orientação pedagógica.

O professor pode ensinar os estudantes a formular perguntas, avaliar respostas, verificar fontes, reconhecer erros e utilizar a IA de maneira responsável.

Deste modo, a literacia em inteligência artificial deve ser entendida não apenas como capacidade técnica de utilizar uma ferramenta, mas também como capacidade crítica de compreender as suas limitações.

A revisão de Li et al. (2026) reforça a importância do desenho instrucional: os benefícios cognitivos aparecem de forma mais consistente quando a IA é integrada em actividades estruturadas e orientadas para a investigação e reflexão.

13. Como a avaliação deve mudar na era do ChatGPT?

A existência de sistemas generativos desafia modelos de avaliação baseados exclusivamente na produção de textos fora da sala de aula.

Se uma tarefa puder ser realizada integralmente por uma ferramenta generativa, a tarefa poderá medir mais a capacidade de utilizar a ferramenta do que o conhecimento individual do estudante.

Isso não significa abandonar trabalhos escritos. Significa diversificar os instrumentos de avaliação.

Estratégia Objectivo
Apresentação oral Verificar compreensão e capacidade de comunicação.
Defesa do trabalho Avaliar se o estudante compreende aquilo que produziu.
Diário de aprendizagem Observar o processo e não apenas o produto final.
Resolução presencial Medir capacidade autónoma.
Análise crítica de resposta da IA Avaliar pensamento crítico e verificação de evidências.
Comparação de fontes Desenvolver literacia científica e informacional.

14. Como utilizar ChatGPT sem criar dependência?

Uma estratégia prática consiste em adoptar três etapas: Pensar → Consultar → Verificar.

1. Pensar

Antes de abrir o ChatGPT, tente resolver o problema, formular uma hipótese ou escrever uma primeira resposta.

2. Consultar

Utilize a IA para receber pistas, feedback, exemplos, contra-argumentos ou explicações alternativas.

3. Verificar

Compare a resposta com livros, artigos científicos, fontes institucionais e outras referências confiáveis.

14.1. Prompts que favorecem aprendizagem

  • "Não me dê a resposta. Dê-me uma pista para eu resolver."
  • "Analise a minha resposta e indique os erros, mas deixe-me corrigi-los."
  • "Faça perguntas para testar se realmente compreendi o conceito."
  • "Apresente um argumento contrário à minha posição."
  • "Identifique quais afirmações da minha resposta precisam de fontes."
  • "Explique o conceito de duas maneiras diferentes e depois faça-me perguntas."

14.2. Prompts que favorecem dependência

  • "Faça o meu trabalho completo."
  • "Resolva todos os exercícios."
  • "Escreva a resposta para eu copiar."
  • "Faça uma conclusão pronta para entregar."
  • "Resuma este assunto para eu não precisar de ler o capítulo."
Quanto mais a IA realiza a tarefa que pretendemos aprender a realizar, maior é a necessidade de questionar se ainda estamos efectivamente a praticar essa competência.

15. Conclusão

A pergunta "ChatGPT ajuda realmente a aprender ou está a tornar os estudantes dependentes?" não possui uma resposta exclusivamente positiva ou negativa.

A evidência científica recente mostra que o ChatGPT pode contribuir para melhorar determinados resultados de aprendizagem e aumentar o envolvimento dos estudantes quando utilizado de maneira estruturada (Deng et al., 2025; Heung & Chiu, 2025).

Ao mesmo tempo, a literatura identifica riscos importantes relacionados com cognitive offloading, redução do envolvimento cognitivo e delegação de tarefas intelectuais quando a IA é utilizada de forma passiva ou sem orientação pedagógica (Georgiou, 2025; Li et al., 2026).

A conclusão mais equilibrada é, portanto, que o ChatGPT não é, por si só, nem uma ferramenta de aprendizagem nem uma máquina de dependência. O efeito depende da forma como é integrado no processo educativo.

A ideia central deste artigo pode ser resumida numa frase:

O estudante deve aprender com a IA, e não deixar que a IA aprenda ou pense no seu lugar.

A utilização mais produtiva da inteligência artificial é aquela que preserva a curiosidade, o raciocínio, a criatividade, a verificação de evidências e a autonomia do estudante.

O verdadeiro desafio da educação na era da IA não é impedir que os estudantes tenham acesso a ferramentas inteligentes. É garantir que, mesmo tendo acesso a elas, continuam capazes de pensar por si próprios.

Nota sobre a força das evidências

A literatura sobre ChatGPT e aprendizagem está a crescer rapidamente. Por isso, é importante distinguir entre revisões sistemáticas e meta-análises publicadas em revistas científicas, estudos experimentais e preprints.

Neste artigo, estudos como Georgiou (2025) e Kosmyna et al. (2025) são apresentados como evidência emergente e não como prova definitiva de que o ChatGPT torna os estudantes "preguiçosos" ou cognitivamente dependentes.

Da mesma forma, os resultados positivos encontrados nas meta-análises não significam que qualquer utilização do ChatGPT produza aprendizagem. A literatura aponta para uma forte influência do desenho pedagógico, do tipo de tarefa e da forma de utilização da ferramenta.

Referências bibliográficas

Deng, R., Jiang, M., Yu, X., Lu, Y., & Liu, S. (2025). Does ChatGPT enhance student learning? A systematic review and meta-analysis of experimental studies. Computers & Education, 227, 105224.
DOI: 10.1016/j.compedu.2024.105224
Heung, Y. M. E., & Chiu, T. K. F. (2025). How ChatGPT impacts student engagement from a systematic review and meta-analysis study. Computers and Education: Artificial Intelligence, 8, 100361.
DOI: 10.1016/j.caeai.2025.100361
Li, C., Cui, H., & Hagedorn, L. S. (2026). The cognitive impact of ChatGPT in higher education: A systematic review of critical and creative thinking outcomes. Computers and Education: Artificial Intelligence, 10, 100571.
DOI: 10.1016/j.caeai.2026.100571
Georgiou, G. P. (2025). ChatGPT produces more "lazy" thinkers: Evidence of cognitive engagement decline. arXiv, 2507.00181.
DOI: 10.48550/arXiv.2507.00181
Kosmyna, N., Hauptmann, E., Yuan, Y. T., Situ, J., Liao, X.-H., Beresnitzky, A. V., Braunstein, I., & Maes, P. (2025). Your brain on ChatGPT: Accumulation of cognitive debt when using an AI assistant for essay writing task. arXiv, 2506.08872.
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Bastani, H., Bastani, O., Sungu, A., Ge, H., Kabakcı, Ö., & Mariman, R. (2024). Generative AI can harm learning. SSRN Electronic Journal.
DOI: 10.2139/ssrn.4895486

Crédito da imagem

A imagem principal utilizada neste artigo corresponde ao ficheiro ChatGPT-Logo.svg, disponibilizado no Wikimedia Commons. A página do ficheiro identifica a imagem como representação oficial da marca ChatGPT e indica que a versão apresentada é de domínio público devido à sua simplicidade geométrica. Consulte a página original do ficheiro para informação actualizada sobre autoria e estatuto de utilização.

Mensagem final

A inteligência artificial pode tornar a aprendizagem mais acessível, interactiva e personalizada. Mas nenhuma ferramenta deve substituir a curiosidade, o raciocínio e a autonomia intelectual que constituem o verdadeiro objectivo da educação.

Use o ChatGPT como professor auxiliar, não como substituto do seu próprio pensamento.

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